INFORMAÇÃO SELETIVA

            Semana passada, coincidentemente, fui cobrado por três amigos que indagaram o porque de não ter enviado mais os artigos que costumo escrever sobre o meio corporativo. Depois do puxão de orelha e da promessa que arrumaria tempo para voltar a produzi-los, refleti sobre a verdadeira importância destes artigos que escrevo para uma contribuição profissional das pessoas, uma vez que hoje em dia todos possuem acesso fácil a qualquer tipo de informação que lhe interessa. Foi ai que surgiu a idéia para discorrer sobre este tema.

 

            Hoje as pessoas são submetidas a lidar com um enorme volume de informações, que chegam através dos mais diversos canais, e com uma velocidade muito rápida. Até certo ponto isso é bom, porque sabemos que na Era da Informação, a própria informação é matéria-prima básica para aqueles profissionais que desejam alcançar o sucesso. Mas isso não é o suficiente, porque nos mostra que ter quantidade e velocidade de informação nem sempre significa ter QUALIDADE e USABILIDADE da mesma. Sou contrário ao ditado que diz que “quanto mais informação melhor”. Existem informações que só ocupam espaço na nossa mente e que não servem pra nada, e ainda nos tiram do foco do que é mais importante. Acredito sim que, quanto mais informação de qualidade melhor. Nisso acredito.

 

            Vejamos o caso da navegação em redes sociais. O brasileiro que já é um dos povos que passa mais tempo conectado à internet, gasta 36% deste tempo em redes sociais, e esse tempo “investido” cresce assustadoramente a cada ano. Ao contrário, nos Estados Unidos uma pesquisa aponta que 61% dos americanos conscientemente já estão utilizando menos as redes sociais, e 20% disseram que cancelaram suas contas. Os que cancelaram suas contas apontaram que sentiram que “aquilo ali era uma perda de tempo”, como o principal motivo pelo cancelamento.

 

            Outro habito clássico de muitos brasileiros (sei que agora vou tocar num ponto delicado), é ter quase um culto pelas novelas televisivas. Fiz as contas, e uma pessoa que passa 20 anos da sua vida assistindo novela, gastou nada mais nada menos do que 9.360 horas para manter este hábito. Não pense que isso é um recado para as mulheres não, pois conheço muitos homens que não perdem um capítulo por nada. Quanta informação útil poderia se ter com esse tempo?

 

            Não tenho a pretensão de julgar os hábitos de ninguém. Acho que as redes sociais possuem suas funções assim como a novela pode ser uma forma de descontrair. Só que é preciso repensar e perguntar-se: O quanto sou seletivo na busca de informações? O quanto as informações que busco no meu dia-a-dia me ajudam a tornar-me uma pessoa e um profissional melhor?

 

Sinto que é crescente o número de pessoas que buscam por mais informação seletiva, e menos informação descartável que não agrega nada para suas vidas. São pessoas que estudam, lêem livros, jornais, navegam em sites de notícias, fazem cursos, aprendem sobre novas culturas, lugares, tecnologias, crenças. Essas pessoas geralmente tem suas opiniões respeitada pelos amigos, pela empresa em que trabalha e clientes, agregam para as comunidades que pertencem, e talvez o mais importante... ensinam e são exemplo para seus filhos.

 

Portanto, se você deseja ser uma pessoa seletiva, seja seletivo com as informações que busca.        

 

Sucesso a Todos!

Milton Bettoni